Mudança nacional pode alterar rotina de milhares de trabalhadores

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (10), o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada de trabalho no Brasil. O texto prevê redução sem corte salarial e agora segue para votação no plenário do Senado.
A PEC 148/2025 foi incluída como extra-pauta, o que gerou críticas de parte da oposição. Ainda assim, a proposta, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) e relatada por Rogério Carvalho (PT-SE), foi aprovada por votação simbólica.
O texto estabelece que a jornada caia de 44 para 40 horas semanais já no primeiro ano após a aprovação. Depois disso, a redução continua, ano a ano, até chegar a 36 horas semanais. Segundo o relator, a mudança beneficia milhões de brasileiros e cria um ambiente mais favorável ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
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Em seu parecer, Carvalho citou o aumento das discussões nas redes sociais contra a escala 6×1, apontada como exaustiva e prejudicial à saúde. Ele destacou também o crescimento do Movimento Vida Além do Trabalho, que defende condições mais humanas de jornada.
A aprovação extra-pauta gerou reclamação do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que alegou ter sido impedido de pedir vista para analisar melhor o texto. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), rebateu afirmando que o tema já havia sido debatido em três audiências públicas.
O debate também avança na Câmara dos Deputados. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) rejeitou o fim da escala 6×1, mas defendeu que a jornada seja reduzida para 40 horas semanais. Para ele, medidas mais profundas poderiam gerar queda de produtividade e aumento do desemprego no país.
Impacto direto em Barra do Choça
Segundo dados do IBGE, Barra do Choça tinha 3.540 trabalhadores com emprego formal em 2023. Esses profissionais atuam principalmente nos setores de comércio, serviços, agricultura e indústria de transformação.
Se aprovada, a PEC pode alterar a rotina de grande parte dessa força de trabalho, especialmente em áreas onde a jornada 6×1 é comum, como supermercados, indústrias, postos de combustíveis e parte do setor de serviços. Empresas locais também deverão se adaptar à possível redução da carga horária semanal.
O tema segue dividido no Congresso e no país, mas avança como uma das discussões trabalhistas mais relevantes de 2025.

