Recurso gratuito permite ao cidadão impedir a criação de contas em seu nome e reforça a segurança do sistema financeiro

Após o aumento expressivo de golpes envolvendo uso indevido de dados pessoais, o Banco Central lançou nesta segunda-feira o BC Protege+, ferramenta digital que permite ao correntista bloquear a abertura de novas contas em seu nome por meio do CPF. A medida busca reduzir fraudes, especialmente contas “laranja”, usadas por criminosos para movimentação de dinheiro ilícito.
O acesso ao BC Protege+ será feito pelo portal Meu BC, exigindo login via Gov.br nos níveis prata ou ouro. O processo é gratuito e opcional. Depois de ativada, a proteção impede a abertura de novas contas sem uma verificação rigorosa de identidade por parte dos bancos.
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Com a funcionalidade ativada, qualquer tentativa de criar conta exigirá validações adicionais das instituições financeiras. O objetivo é dificultar o trabalho de golpistas e aumentar a segurança no sistema bancário.
A decisão do Banco Central também foi influenciada por recentes escândalos, como o caso Master, que reacendeu debates sobre a supervisão das instituições financeiras. O órgão afirma que a ferramenta dará mais controle ao cidadão e ajudará a restaurar a confiança do público.
Fraudes em alta no Brasil
O uso de documentos falsos, furtados ou roubados tem sido a base para golpes envolvendo Pix e pirâmides financeiras. Em muitos casos, contas “laranja” são abertas para receber os valores desviados, dificultando o rastreamento dos criminosos.
Segundo pesquisa do Datafolha, um em cada três brasileiros sofreu algum tipo de golpe nos últimos 12 meses, o que corresponde a cerca de 56 milhões de vítimas. Dados da Serasa Experian mostram ainda que o país registrou quase 7 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre deste ano — aumento de 29,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Com o lançamento do BC Protege+, o Banco Central espera reduzir significativamente esse tipo de crime e fortalecer a proteção ao consumidor.

